"Minhas desequilibradas palavras
são o luxo do meu silêncio."
(Clarice Lispector)
Ao som de Sia - Don't Bring Me Down
Eu digo mais quando me calo. Porque nessas horas digo com o corpo, e corpo não mente, carece da malícia das palavras; corpo sente, e só. E corpo sim, há que se saber ler; se traduz em olhos, e mãos, e até mesmo na cadência da respiração ou na direção misteriosa dos passos ainda por vir. É onisciente a ignorância do meu pensamento. E, por tanto querer dizer, me faço inteira linguagem outra, além do verbo.
Por tanto querer dizer, me estampo subliminar nas entrelinhas da minha mudez. É lá que estou, completa e desafogada de pontuações, clara e veemente como uma resposta que independe de pergunta para ser resposta. Para lá confluem todas as inflexões da minha voz dessilabada, desse timbre particular que nasce na garganta do olhar que tudo diz. Não me valho dos sons para existir – mais do que som, existo signo e movimento.
Mais do que som, existo percepção. É na sutileza dos detalhes que me declaro, no branco dos olhos que me passo a limpo. E assim – olhando, sentindo, vivendo, somente – me vejo sendo, e sigo não sabendo ser de outro jeito e, tampouco, querendo. Crendo-me aquém da oralidade e, por isso mesmo, tão além – embora, por tanto crer, às vezes desacredite nas minhas descrenças e acabe por me dissolver em palavras, fazendo delas a catarse natural e inevitável dessa atribulada convivência comigo mesma. Mais do que som, signo, percepção, movimento, existo algo ainda inominado, oração muda que queima incendiando o dizível para florescer significado intenso. Eu, mulher de essência anônima e despalavrada, digo em silêncio. Digo, apenas.
Por tanto querer dizer, me estampo subliminar nas entrelinhas da minha mudez. É lá que estou, completa e desafogada de pontuações, clara e veemente como uma resposta que independe de pergunta para ser resposta. Para lá confluem todas as inflexões da minha voz dessilabada, desse timbre particular que nasce na garganta do olhar que tudo diz. Não me valho dos sons para existir – mais do que som, existo signo e movimento.
Mais do que som, existo percepção. É na sutileza dos detalhes que me declaro, no branco dos olhos que me passo a limpo. E assim – olhando, sentindo, vivendo, somente – me vejo sendo, e sigo não sabendo ser de outro jeito e, tampouco, querendo. Crendo-me aquém da oralidade e, por isso mesmo, tão além – embora, por tanto crer, às vezes desacredite nas minhas descrenças e acabe por me dissolver em palavras, fazendo delas a catarse natural e inevitável dessa atribulada convivência comigo mesma. Mais do que som, signo, percepção, movimento, existo algo ainda inominado, oração muda que queima incendiando o dizível para florescer significado intenso. Eu, mulher de essência anônima e despalavrada, digo em silêncio. Digo, apenas.