sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Encontro

"- Na primeira vez que te vi,
sabia que tu ia ficar comigo.
- Sabia como?
- Bah, eu sabia.
- Te contar: eu também sabia.
- Então. Essas coisas a gente sabe."



Eu o conhecia há três dias e de repente estava ali, parada diante do quarto dele, um dos pés na iminência de um recuo e o outro avançando para o interior de uma vontade súbita que não fiz a mínima questão de coibir - a vontade do meu corpo, concentrada nos dedos que escorregavam audaciosos do terreno da razão para confluir num toc-toc-toc rápido, quase tímido, anunciando-me do outro lado da porta. Aquela noite era diferente das outras. Naquela noite, eu queria mais. Mais do que a lembrança enviesada de uma história complicada cujo fim sobreveio antes mesmo do começo. Mais do que alguém inventado. Mais do que um cálice diário de expectativas irreais. Naquela noite, eu queria presença. Toque. Cheiro. Gosto. Cor. Hálito. Queria de um querer súbito e sem polimentos, e eu instintivamente sabia que era dessa forma que ele me queria também. Por isso, quando pretextei sono e inventei que iria dormir, eu sabia que ele não permitiria que eu saísse dali. E, quando ele me segurou forte os braços e me umedeceu deliciosamente a boca com o beijo mais perfeito que eu jamais imaginara, eu sabia que aquela noite estava apenas começando - e que, ao longo dela, não haveria script, nem limites, nem perguntas, nem explicações: haveria apenas dois corpos entregues ao chamado misterioso e quente dessa coisa avassaladora chamada desejo, confundindo-se um no outro entre carícias e suores e gemidos, acumpliciados na intimidade rubra e inteiriça da languidez ofegante que, pouco a pouco, sereniza entre rostos unidos e membros entrelaçados, ambos entorpecidos pela sensação do prazer mutuamente proporcionado, desafiando a exaustão do corpo entre delícias que insistiam em interminavelmente recomeçar. Foi assim que, enquanto o dia amanhecia, adormeci nos braços dele com meus lábios ainda colados aos seus, cada centímetro meu inteiro marcado por cada centímetro daquele homem, minha cabeça repousada no seu peito enquanto meus olhos descansavam embebidos naquele sorriso lindo. "Agora você é minha", a voz preguiçosa brincando nos meus ouvidos, tatuando na minha memória o sotaque gostoso do Rio Grande do Sul. E agora, ainda, as marcas dessa noite perfeita fazem pouso na minha pele e na minha lembrança, e me dizem que as melhores coisas da vida são as inesperadas, aquelas que acontecem sem muito planejamento e que nos levam em determinada direção quando tudo parece nos encaminhar a outra. É essa a matéria do ininteligível. E, igualmente, é essa a matéria do inesquecível.


Primeira postagem diretamente do Paraná,
iniciando a nova temporada em grande estilo ;)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sinal de Fumaça

E então, pessoas, se comportando bem na minha ausência?
Pois bem, eu não morri, mas a minha vida anda de cabeça para baixo - mudança de emprego, de cidade, de estado (uma sílaba pode fazer muita diferença, do Pará passei a morar no Paraná), de rotina... e por conta desse período de turbulência trans-adaptação, vou passar mais algum tempo sem internet e, por consequência, sem atualizar esse blog. Assim, que puder, volto a ser uma blogueira decente ;)
Saudades de todos, sem exceção. Muita saudade.
Um beijo!