antes, rezava a lenda, todo mundo tinha um pouco de médico e louco. hoje, graças à internet, todo mundo tem um pouco de médico, louco, jornalista, cientista político, social media, voyeur e babalorixá.
bom ou ruim? depende de quanto tempo você passa - e do que você procura - olhando pelo buraco da fechadura. ou daquilo que você mostra ao deixar, propositalmente, uma fresta da janela aberta.
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segunda-feira, 21 de outubro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Pausa Para Respirar
Entendi que não
gosto de perder o fôlego. Não gosto de taquicardia. Eu aceito a taquicardia
como um mal necessário, mas gosto, prefiro, meu coração batendo sem maiores
tropeços. Singular e íntimo, como um bom blues. Porque a gente tem que parar
para respirar fundo. Desaprender o vício que é estar sempre alerta,
experimentar outras percepções – próprias, alheias, comuns. Deixar essa
preocupação besta de viver tudo ao mesmo tempo. Não se trata de ser zen ou de
se espiritualizar, eu não sou zen e nem me espiritualizei mais do que ontem ou
há dez anos; se trata de fazer uma pausa para respirar, pelo tempo que for
necessário, apenas para existir um pouco mais. E tenho feito as minhas, ainda
que elas não me elucidem (tudo é dicotomia – e me conheço melhor desde que
aceitei não saber exatamente quem eu sou).
Respirar,
respirar, respirar.
A vida é feita
também de pausas.
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| Imagem: Deviantart |
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Da Pequena e Dolorosa Impropriedade de Não Sangrar Até Viver
"Then share thy pain, allow that sad relief;
Ah, more than share it! give me all thy grief."
(Então compartilha a tua dor, permita que se alivie a tristeza;
Ah, mais que compartilhá-la! dá-me todos os pesares.)
Alexander Pope - Eloisa to Abelard
Soundtrack: Russian Red - Gone, Play On
Ah, more than share it! give me all thy grief."
(Então compartilha a tua dor, permita que se alivie a tristeza;
Ah, mais que compartilhá-la! dá-me todos os pesares.)
Alexander Pope - Eloisa to Abelard
Soundtrack: Russian Red - Gone, Play On
Hoje, estranhamente, eu quereria sofrer.
Quereria uma dor que me cortasse a carne. Dilacerante. Súbita. Agônica. Feita de infinitas dores menores, aquelas todas que teimei um dia em não sentir ou em não vivê-las com a entrega que mereciam de mim. Uma dor implacável, uma dor agigantada pelo meu próprio medo de sentir dor.
Hoje eu quereria uma dor de coração em frangalhos e choro devastado, de mãos e pernas trêmulas e espasmos de corpo inteiro e joelhos feridos da queda – sem lenços, sem consolações, sem ofertas de ombros ou amparo, sem, sem, sem. Pelo chão, um a um, crises existenciais, mecanismo de luta e fuga, papéis em branco e rabiscos imaginários. Uma dor egoísta: inteira minha. Uma dor que me possuísse com a fúria das dores rejeitadas e menosprezadas que vêm para cobrar seu tributo quando a fragilidade nos assola e não me atreveria novamente a escorraçá-la, venha, eu te acolho nos meus braços suados; apenas me esgote e me anestesie até que eu nada sinta e, então, se despeça com um beijo torto e saciado e vá embora exatamente como veio. De uma vez.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Constatação
Estou aqui parada diante dessa tela branca pensando, resvalando entre esboços de palavras. Sentindo. Eu não sei o que te dizer. Eu só sei que eu quero você, já.
Para sempre, quem sabe.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Saudade
Onde?
Soundtrack: Paralamas - Busca Vida
Eu não sabia. Mas era alguma coisa assim meio pela metade, com olhos cor de rua - densos, coisa que não se acaba e que a gente vai olhando para ver se enxerga o fim e o fim, onde? Eu não sabia. Soube quando me faltou um pedaço e eu parecia tão maior, agigantada em meio à sobra de mim, com os meus braços ondulando em torno de uma nostalgia doce, dulcíssima, exata medida do que deveria estar e, à revelia, se ausenta. Onde? Eu não sabia, ouvi de leve um rumor de passos perdidos e era ela, a vontade que eu tinha de afagar o que me faltava. E dessa vez eu não a espantei: apenas deixei que se aproximasse naquela cadência de vontade tímida querendo crescer e tomar conta, e lhe beijei a testa, e a deixei seguir seu destino de Vontade, como é destino da Saudade apenas ser. Assim, meio pela metade. Com olhos cor-de-rua. E essa nostalgia doce, dulcíssima.
Plínio, esse é seu. E de todos, absolutamente
todos os que me são caros nessa vida.
terça-feira, 17 de março de 2009
Poema-Gesto

Porque eu choro riso,
E sorrio cor.
E sorrio cor.
Tirinha de Ricardo Liniers, presente da Jazz, que com um gesto despretensioso conseguiu relizar uma missão quase impossível: deixar o meu dia mais leve:)
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Enigma do Dia
Alguém já reparou que quando a gente propõe a verdade para determinados "uns" é como se para eles, muitas vezes, soasse algo do tipo "tire toda a sua roupa, fique completamente nu e passe horas a fio de pé e com os braços levantados sobre um pedestal do outro lado da rua"?
A verdade, para "uns", só não é mais assustadora que a morte. Ou é.
E não, isso não tem endereço certo. É só uma constatação, inaugurando a semana de (des)necessárias constatações.
A verdade, para "uns", só não é mais assustadora que a morte. Ou é.
E não, isso não tem endereço certo. É só uma constatação, inaugurando a semana de (des)necessárias constatações.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Wishlist
"Sonhar é acordar-se para dentro."
Mário Quintana
Mário Quintana
Ao invés de certezas, esperanças.
Aquele rastro doce que as coisas doces deixam mesmo quando chegam ao fim.
A lembrança delas na ponta da língua.
Uma saudade igualmente doce que venha e me ocupe toda a boca, e não enjoe nem arranhe meu peito de paladar apurado.
Um copo de absurdo por dia.
E o destino misterioso e surpreendente como um ventre grávido.
Há um rumor do lado de fora, percebo – é o meu coração que outra vez bate à minha porta...
(Acenda-me uma estrela e deite-a entre meus dedos, e não me acorde se eu dormir aqui.)
Aquele rastro doce que as coisas doces deixam mesmo quando chegam ao fim.
A lembrança delas na ponta da língua.
Uma saudade igualmente doce que venha e me ocupe toda a boca, e não enjoe nem arranhe meu peito de paladar apurado.
Um copo de absurdo por dia.
E o destino misterioso e surpreendente como um ventre grávido.
***
Há um rumor do lado de fora, percebo – é o meu coração que outra vez bate à minha porta...
(Acenda-me uma estrela e deite-a entre meus dedos, e não me acorde se eu dormir aqui.)
Pati: três pratos de trigo para três tigres e,
para nós, nosso copo diário de agás maiúsculos ;)
para nós, nosso copo diário de agás maiúsculos ;)
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