domingo, 11 de junho de 2017

VACINAS: HEROÍNAS OU VILÃS?


Imagem: Google

Ultimamente – entre os amigos, nos grupos de famílias, no trabalho – tenho visto/ouvido inúmeros questionamentos a respeito da utilidade, indicação e segurança das vacinas. Existe um sem fim de informações na internet, algumas bem fundamentadas e outras sem qualquer respaldo técnico-científico, todas muito acessíveis, causando muitas dúvidas na cabeça dos papais e mamães. Compreender o funcionamento das vacinas depende do entendimento de alguns conceitos importantes, entre os quais, o de IMUNIDADE. O que é, afinal, essa tal imunidade?

Imunidade é a resistência ou proteção contra algo, normalmente relacionada com doenças e infecções que podem atacar o organismo de um ser vivo. Assim, a imunidade consiste num conjunto de mecanismos que defendem o corpo de agentes infecciosos invasores. Esse processo ocorre basicamente de duas maneiras: de forma PASSIVA ou de forma ATIVA.

A imunização passiva produz uma rápida e eficiente proteção, que, contudo, é temporária, durando em média poucas semanas ou meses. A imunidade passiva natural é o tipo mais comum de imunidade passiva, sendo caracterizada pela passagem de anticorpos da mãe para o feto por meio da placenta e também pelo leite. Essa transferência de anticorpos ocorre nos últimos dois meses de gestação, de modo a conferir uma boa imunidade à criança durante seu primeiro ano de vida.

A imunização ativa ocorre quando o próprio sistema imune do indivíduo, ao entrar em contato com uma substância estranha ao organismo, responde produzindo anticorpos e células imunes (linfócitos T). Esse tipo de imunidade geralmente dura por vários anos, às vezes, por toda uma vida. Os dois meios de se adquirir imunidade ativa são: contrair uma doença infecciosa e, vejam só!, a vacinação.

É por esse motivo que as vacinas são recursos indispensáveis para a saúde individual e pública. Através da imunização é possível prevenir infecções e impedir que várias doenças se espalhem por um território. Elas atuam estimulando o organismo a produzir sua própria proteção (por exemplo, a produção de anticorpos) contra enfermidades. É a maneira mais eficaz de controlar e até erradicar doenças – quem tem mais de 30 anos dificilmente vai se esquecer da “vacina da pistola”, a qual, até alguns anos atrás, era oferecida largamente nas escolas e teve foi a responsável por exterminar do país uma doença altamente contagiosa, de altíssima morbidade e mortalidade: a varíola!


Imagem: Google

O desenvolvimento de uma vacina segue altos padrões de exigência e qualidade em todas as suas fases. No Brasil, a maioria das vacinas é produzida pelo Instituto Butantan, mundialmente reconhecido pela excelência técnica, e o órgão responsável pela avaliação dos resultados de segurança e eficácia de uma vacina e seu registro é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Anvisa, por meio da Resolução (RDC) n. 55, de 16 de dezembro de 2010, estabelece os requisitos mínimos para o registro de produtos biológicos, entre eles as vacinas. As fases de desenvolvimento exigidas por essa RDC são semelhantes às exigidas pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC).
Esse acompanhamento também é realizado pelo Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Vigilância de Eventos Adversos Pós-vacinação (EAPV) do Programa Nacional de Imunizações (PNI). O objetivo é quantificar e qualificar os eventos adversos para não haver dúvidas de que os riscos de complicações graves causadas pelas vacinas são nulos ou muito menores que os oferecidos pelas doenças contra as quais elas oferecem proteção. Todo esse cuidado é para garantir que o melhor produto seja disponibilizado à população, possibilitando, assim, a prevenção, o controle e até mesmo a erradicação de doenças, caso das vacinas contra varíola e poliomielite.


VACINAS INATIVADAS X ATENUADAS

As vacinas são classificadas de acordo com a característica do microorganismo e do mecanismo de ação, em atenuadas e inativadas. As atenuadas são compostas de microrganismos vivos “enfraquecidos” em laboratório, que devem ser capazes de se multiplicarem no indivíduo vacinado para que possa ocorrer a estimulação de uma resposta imune. Essa resposta imune ao microrganismo atenuado é idêntica a produzida pela infecção natural, pois o sistema imune é incapaz de diferenciar entre uma infecção pelo microrganismo vacinal e o microrganismo selvagem. A multiplicação do microrganismo vacinal não costuma ser capaz de causar doença propriamente dita. As reações sistêmicas incluem febre, mal-estar, rash cutâneo, mialgias, cefaléia e anorexia. Esses sintomas usualmente ocorrem 1-2 semanas após a administração de vacinas vivas atenuadas e são considerados como uma “doença” leve provocada pela multiplicação do microrganismo da vacina. É possível, eventualmente, o surgimento de reações locais, como edema, rubor e dolorimento discreto, os quais não costumam evoluir com maior gravidade. Exemplos de vacinas vivas atenuadas: Sarampo, caxumba, rubéola, pólio (Sabin), febre amarela, varicela, BCG.

Por outro lado, as inativadas são compostas de microorganismos que não mais se encontram vivos, logo incapazes de se multiplicarem. Exemplos de vacinas inativadas: DPT (tríplice), hepatite A, hepatite B, raiva, pneumococo, meningococo, influenza, haemophilus do tipo-b, febre tifóide, cólera.


CONTRAINDICAÇÕES

Porém, nem todo mundo pode tomar vacinas. Existem algumas contraindicações:

Contraindicações gerais à vacinação:
• Alergia grave a uma dose prévia da vacina
• Alergia grave a um dos componentes da vacina
• Doença aguda moderada à grave

Observação: As vacinas contra o sarampo, caxumba, influenza (gripe) e febre amarela não são recomendadas a indivíduos alérgicos à proteína do ovo de galinha.

Contraindicações às vacinas vivas atenuadas:
• Gravidez
• Imunossupressão
• Transfusão recente de produtos sanguíneos

Contraindicações à vacinação BCG:
• Todas relativas às vacinas vivas atenuadas
• Criança com peso < 2 Kg (impossibilidade técnica da aplicação)

Contraindicações à vacinação DPT (devido ao componente pertussis):
• Encefalopatia nos 7 dias pós-vacinação
• Convulsões nas 72 horas pós-vacinação
• Choro persistente e inconsolável, com 3 horas ou mais de duração


É PRECISO SABER

No Brasil, a vacinação das crianças é obrigatória e obedece a um calendário válido em todo o território nacional, recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Sociedade Brasileira de Imunizações. A efetivação do direito à saúde da criança e do adolescente é um dos deveres que incumbe à família, conforme artigo  do Estatuto da Criança e do Adolescente. O cuidado com a saúde dos filhos é um dever inerente ao poder familiar, e assim, o descumprimento deste dever pode levar desde a aplicação de medidas leves aos pais até à destituição do poder familiar, conforme artigo 129 do  ECA. Como já foi dito, a vacinação é um instrumento essencial não só no que diz respeito à saúde individual, mas também à saúde pública, e um indivíduo não vacinado pode ser responsável pelo adoecimento de toda a coletividade e pelo retorno de agravos que, um dia, foram causa importante de óbitos ou sequelas – sobretudo na faixa etária pediátrica, como o sarampo e a poliomielite.

Por isso, papais e mamães, não deixem de conversar com um pediatra. Fundamentem suas leituras em fontes confiáveis. Conheçam a fundo a história natural das doenças imunopreviníveis e, se possível, conheçam também o que muitos desses agravos foram capazes de fazer ao longo da nossa história. Prevenir sempre vai ser a melhor maneira de cuidar não só dos seus pequenos, mas de todas as crianças do nosso Brasil.


Links úteis:

SBIm - mitos sobre vacinas

Mitos e verdades sobre vacinas (Hospital Sírio Libanês)

Calendário Nacional de Vacinação 2017 - Ministério da Saúde

Biotecnologia aplicada ao desenvolvimento de vacinas

Um comentário:

Geraldo Pinho disse...

Feliz aniversário, Flávia! Amor, saúde e prosperidade. Você merece tudo isso.