segunda-feira, 14 de abril de 2008

Sete Segundos

"Era como o som dum sino que,

de vibração em vibração, sobe do vago ao apogeu. "

(D. H. Lawrence em O Amante de Lady Chatterley)

Ao som de Elliot Smith - Between the Bars

Quando aqueles dedos entrelaçaram-se nos seus cabelos – a princípio hesitantes, confusos, quase a desculparem-se pela invasão súbita e deliciosamente não resistida – o corpo todo estremeceu esparramado em êxtase, macio, como os fios a se impregnarem do cheiro amadeirado daquela mão poderosa; a cabeça, surpreendida pela repentina sensação de repousar nos braços de tão suave toque, derreou-se mais e mais sobre a languidez encantada daquela carícia inesperada.

Permitiu-se encontrar, submissa, pelo dedilhar deslizante a lhe buscar, vez ou outra, os ombros displicentemente resguardados pelo tecido fino da blusa, já completamente entregue à mão que escorregava, sorrateira, enrubescida por ousadia crescente, para a confluência de seus desejos. A cabeleira vasta, densa, assim tão subitamente penetrada, espreguiçada inteira sobre a pele pulsante do outro, ávida daquele contato tão novo e, a despeito disso, tão irracionalmente vital, derramava-se obediente e desapressada por sobre o encosto encarnado da poltrona, rasgando o espaço como um par de olhos em súplica. Nem viu-lhe o rosto, nem viu-se em outro instante a não ser na palma da mão daquele carinho-posse, posse-carinho, corpo e coração sabendo o que era, razão não querendo saber, sintonizada no desalinho dos cabelos dançantes naqueles dedos como encaracolada e castanha ventania.

Deixou-se ficar ali, soçobrante no carinho genuíno e intenso, voluntariamente subjugada pela intimidade despretensiosa nascida de tão simples gesto; até que, em um movimento imprevisível de audácia involuntária, não mais que um dedo pousou-lhe beijo leve na nuca – e o arrepio que se seguiu a esse sutil contato lhe abraçou o corpo inteiro de forma tão violenta, que os músculos todos se contraíram em um espasmo único de indescritível prazer, e os olhos se fecharam umedecidos de larga e confessa ternura. Virou-se em vontade, e vontade tamanha que se impôs sobre a lógica: ali permaneceu sonho interminado, dona de um universo particular e conhecido apenas seu, carícia jamais se desfazendo, olhos jamais se abrindo, sentimento todo do mundo nela enredado, fio a fio atados no sempre, e quem dirá que existe o sempre. E quem dirá que não existe.

33 comentários:

Edu Grabowski disse...

Sabe qdo vc quer falar e fica sem saber o q dizer?
ent'ao...simplesente gostei muito do q escreveu! Sete segundo... A m[usica tbm perfeita...conhecia não!
beijos Flavinha.
Edu.

Flavinha disse...

Sete segundos, às vezes, valem por uma eternidade, não é? Essa música eu amo, Mando pra vc =))

Adoro tu, moço. Muito.

Beijo!

P. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
P. disse...

Já passaram vários sete segundos... Mas houve um momento que durou exatamente isso. O sete passou a ser eternidade pra mim.
Acaba na realidade, perdura em outro lugar.

Lindo, lindo, lindo.
beijomeu, beijomeu, beijomeu.
Amor inteiro e sempre.

Ricardo Rayol disse...

uma falsa submissa subjulgada isso sim.

tobecontinueed disse...

Flavinha...
Tudo bem querida?

Poxa...em primeiro lugar, quero pedir desculpas GIGANMEEEEENNNNNSAAAASSS pelo meu sumiço... sumi tanto que nem tô mais aqui... snif...hehehe
Brincadeira!

Flor... conforme fui lendo, as imagens foram se formando pra mim...

AMEI!

Tá tudo muito muuito lindo aqui viu...
Sereno, bonito, agradável, como sempre!

ADORO!

Beijos!!!

Antonio Ximenes disse...

Moça.

Acredito que seja impossível descrever o que um simples gesto de carinho e intimidade pode causar em uma pessoa distraída ou solícita.

Seria muito difícil pausar-se em pequenos detalhes... desde o início... da prévia intenção... o discorrer da ação... até o desfecho do ato.

Impossível... não para você.
Difícil... não para você.

Não existe limites para uma mente criativa... rs.

Continue se superando sempre.

Um abração do teu amigo pitoresco.

Tamara disse...

To precisando de amor assim....


Bjos e estrelas...

Mila disse...

Hummmm
Maninha in love... hehehehehe
este é o bacana da nossa irmandade... cada uma do seu jeito... e cada uma voltando ao seu jeito...
Flavinha sem o amor romantico... que ora é inocente... ora altamente picante... não é Flavissima... Então... agora que voltas ao teu estado natural de amor... fico em paz... e fico feliz... por ti, sempre!!!!
Beijos Mila

Ciça. disse...

Excelente texto, pude imaginar a cada palavra que lia. Muito bom!




:*

Paloma disse...

Ah, que carinhos deliciosos: o afagos nos cabelos que há em seu texto e o próprio texto. A mão afaga o eu-lírico e as suas palavras o coração do leitor! Adorei!

Ariana disse...

Gostei mto do que tu escreveu!

Alias, adorei o teu blog!

Beijo*

Flavinha disse...

P.,

amiga, tu completaste exatamente o que eu comentei contigo que tava faltando no meu raciocínio: acaba na realidade, perdura em outro lugar. E eu tenho tantos momentos guardados nesse outro lugar... e, quando penso que não há mais espaço, me surpreendo ao descobrir que sempre cabe mais... e mais... e mais... amor inteiro, sempre, real e aqui. Beijo!

RAYOL,

Hohoho... captou, captou... beijo!

LI,

Menina, eu tava arrumando o template e tive que inserir um a um todos os links de novo... e aminha preguiça homérica não me deixou fazer isso de uma vez só... ai, que vergonhaaaa... perdoa eu, vai... e, tipo, que bom que vc tá de volta! durante essa sua ausência eu tava lá, pra ver se vc voltava... e vc voltou! =)) Beijo!

XIMENES,

Rapaz, quanto elogio... eu não sei se mereço, mas que eu gostei, eu gostei (rsrs)... também não sei se existem empecilhos para uma mente criativa, mas, para um coração em pleno exercício da sua capacidade de se apaixonar, esses limites realmente inexistem - e talvez esse seja o mais mágico ingrediente que alguém precisa para se expressar... obrigada pela simpatia de sempre, querido. Beijo!

TAMARA,

E quem não precisa, né, flor? Amor assim, ai... rsrs... espero que o seu chegue logo, loguinho. Beijo!

MILINHA,

Cada uma do seu jeito... e assim a gente vai se completando, né? Você, Anne, eu... A gente é tão diferente, mas no fundo somos iguais - transbordantes dessa capacidade de sentir, de gostar, de se doar... E eu só tenho a te agradecer, por tudo o que vc tem sido pra mim desde que nos conhecemos. Mais que amiga. Mais que irmã. Algo tão bom que nem nome tem. E eu amo vc. Beijo!

CIÇA,ARIANA

Obrigada pela visita e pelos elogios, moças! Passando lá nos seus cantinhos pra conhecer vcs também - fiquem à vontade para aparecer sempre que quiser. Beijo!

PALOMA,

Ah, que lindo isso! E esse comentário seu afagou o meu dia, flor... obrigada mesmo. Beijo!

Ultra Violet disse...

Quantas mudanças no visual aqui, eim? Tudo tão bonito, combinandos com as belas e lúbricas palavras desse texto que acariciam o desejo de qualquer um.

Bjs.

Ciça. disse...

Também to te linkando lá. Vou sempre lá no Espasmos. Adoro!



:*

Ingrith disse...

Eu queria só mais 7 segundos...

Atriz disse...

Ai que coisa mais profunda, Flavinha!!!!!!

Bravo! Lindoooo!!!!

Parece que via cada gesto, cada passo, cada gota de prazer. O que mais me chamou a atenção foi que tudo envolve o cabelo! rsss

Linda magia!

bjs!!!!Gisele

Nathália disse...

Eu consegui ver a cena na minha imaginação. E foi ótimo, porque parecia muito real.

Lindo!

:*

C. disse...

lindo.
lindo demais.
palavras palpáveis.
esse é daqueles que dá vontade de mergulhar, no lugar de ser mera leitora.
me senti cativada, moça.
um xêro

Rafael Velasquez disse...

e aí médica-poeta. achei que você ia ajudar na dengue aqui.

deu texto tá muito bom.

beijo, inté.

Flavinha disse...

VIOLET,

Pois é, moça... esse meu ímpeto de mudança sobrevém vez ou outa. Aí, para não me blogcidar de novo, reciclei;)

Beijo!

CIÇA,

Ah, o Espasmos é uma fofura. Tem texto novo lá - se ainda não leu, não deixe de conferir. Beijo!

INGRITH,

Desses sete, eu queria tantos mais, flor... beijo!

GI, NAT, C.,

Meninas... cabelo é TUDO! Muito legal saber que embarcaram assim no espírito do texto. C., visitei seu blog já... adorei sua escrita, parabéns! Valeu mesmo pelos elogios ao texto. Beijos!

RAFA,

Rapaz, nem te conto que a dengue aqui não tá muito diferente daí, não... a diferença é que o paraense já tá quase em simbiose com o tal virusinho safado - a convivência é tão "assim" que de dengue a gente não morre mais... beijo!

Belinha disse...

Oi Ando a visitar blogs, e passei no seu.
Adorei vc escreve lindamente,sabe sete segundos ás vezes parece uma eternidade , depende da situação.

Jokas ;)

Anne disse...

Nossa, Flavíssima, que q é isso? Pelamor, fiquei besta aqui lendo o seu texto...quanto desejo, qta paixão...afffff, to podendo ler essas coisas não...rsrsrs

Maninha, tu sempre te supera mesmo, quisera eu ter metade do seu dom com as palavras, mocinha!

Maravilhoso!!! Aliás, adorei a carinha nova do seu blog, esse template ficou mto bonito! Agora sim, suave e doce como vc e como suas palavras.

E como disse Mila, cada uma do seu jeito, acho que por isso nos damos tão bem. Ainda vou encontrar vcs 2 pra um café ou 2, ou vários...rs

Bjos, amo vc mana!

Flavinha disse...

BELINHA,

Moça, obrigada pela visita e pelo comentário bacaníssimo. Tô passando lá no teu canto pra te conhecer. Beijo!

ANNE,

Ai, Anne... vc sabe, né? Vc e Mila tem sido dois anjinhos lindos, sempre perto de mim, me conselhando, me acarinhando... e esse tempo todo de convivência prova que, apesar das nossas diferenças, essa amizade que nasceu entre a gente não era só mais uma "comadrice" passageira - veio pra ficar e assim tem sido, apesar de todas as distâncias. Amizade que a cada dia cresce e frutifica. E vc, Luciane, Lu, Anne, Mestra... é uma amiga que eu amo com todo coração e, que como a Mi, é mais que irmã. Eu te amo "meerrrmo"... beijo, beijo, beijo!

minicontosperversos disse...

Uaaal! Ei, precisamos conversar. Precisamos de umas dicas.

Queremos interpretar.

Amanhã vamos ler com mais calminha mas... cadê a gente (MCP) aí?

Flavinha disse...

MINICONTOSPERVERSOS,

Ocês precisa, ocês qué, ocês manda! Rsrs... Tamos aí pra qualquer coisa. E vcs já tão aqui também - é só conferir aí na coluna do meio. A gente agora é vizinhoooo...

Valeu pela visita, moço. Prazer te ver por aqui.

Beijo!

Lorita disse...

sete segundos é o tempo de um orgasmo, e não importa como é que se chega, orgasmo é tudooooooooo! rs...

Flavinha disse...

LORITA

Disse tudoooo!! Beijos!!

Fê Probst disse...

Como não te descobri antes?

O texto inteiro arrepiou-me e deliciei-me palavra por palavra. É uma delícia o jeito com que descreves cenas.
Adorei.

Flavinha disse...

FÊ,

Eu digo o meeeeeesmo sobre vc... como?! COMO?! Adorei seu blog... lindo! E a gente continua se vendo, né? Beijo!

Fernando disse...

Flavinha, o sempre sempre existe. Basta crer. Mesmo que ele seja feito de um momento em algum lugar do presente futuro, se apreciado com intensidade, sempre irá existir. E coexistir também. Seja no agraciado ou no agraciante.

Este seu texto só comprova o que eu já disse: precisa publicar logo. Tens uma maestria pra demonstrar sentimentos, uma sutileza fascinante! Fiquei tocado! Vou oferecer o texto a alguém, ok? Mas dou os créditos.

Beijocas!

Flavinha disse...

FERNANDO

Concordo com vc. Em algum lugar, o "sempre" sempre existe. Eu acredito. Quanto a publicar, quem sabe, né? Tudo acontece - a gente nunca sabe o que vem por aí... :-)

Pode oferecer, sim, querido, pra quem vc quiser. Fico feliz, de coração, que o texto tenha tocado vc dessa forma... é bom saber que conseguimos emocionar alguém que está a quilômetros de distância através das nossas palavras. Obrigada, mesmo...

Beijo na testa, moço.

freefun0616 disse...

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